Alcides Bernal, ex-prefeito que morreu após passar mal em presídio, era acusado de matar servidor que arrematou casa em leilão
Alcides Bernal José Aparecido/TV Morena e g1 MS O ex-prefeito de Campo Grande Alcides Bernal, que morreu nesta segunda-feira (13) após passar mal no Presídi...
Alcides Bernal José Aparecido/TV Morena e g1 MS O ex-prefeito de Campo Grande Alcides Bernal, que morreu nesta segunda-feira (13) após passar mal no Presídio Militar e ser internado, era acusado de matar o fiscal tributário da Secretaria de Fazenda de Mato Grosso do Sul, Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos. O crime ocorreu durante uma disputa pela posse de um imóvel na Rua Antônio Maria Coelho, que havia pertencido a Bernal e foi arrematado por Mazzini em um leilão judicial. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp No dia do crime, o servidor entrou no imóvel acompanhado de um chaveiro. Segundo a investigação, ao ser avisado pelo sistema de segurança de que havia pessoas na residência, Bernal foi até o local e atirou contra Mazzini. Em entrevista ao g1 na época, o ex-prefeito afirmou que agiu em legítima defesa. Agora no g1 Após os disparos, Bernal acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e se apresentou na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) Centro. Desde então, permanecia preso no Presídio Militar de Campo Grande. Conforme o Corpo de Bombeiros, a vítima foi atingida por dois disparos, sofreu três perfurações e chegou a ser reanimada, mas não resistiu aos ferimentos. O imóvel estava desocupado no momento do crime. No dia 30 de junho, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou o habeas corpus que pedia a liberdade de Bernal. A decisão foi tomada menos de uma semana após o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) determinar que ele fosse submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri. LEIA TAMBÉM: Ex-prefeito Alcides Bernal morre após passar mal no Presídio Militar e ser internado em Campo Grande Morte na Santa Casa Bernal morreu aos 60 anos na Santa Casa, após passar mal no Presídio Militar. A causa da morte não havia sido divulgada até a última atualização desta reportagem. A nova internação ocorreu um dia após a Justiça negar um pedido de prisão domiciliar. Ao g1, o advogado de defesa, Ricardo Machado, informou que Bernal desmaiou no presídio. Ao chegar ao hospital, ele foi encaminhado para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI). “Ele começou com cateterismo, mas depois foi submetido a uma angioplastia coronariana. E dessa angioplastia, ele foi submetido depois a outra angioplastia, quando foi colocado os stents nele”, disse a defesa. O advogado afirmou ainda que apresentou três pedidos de prisão domiciliar em razão dos problemas cardíacos que Bernal já enfrentava, inclusive antes de uma cirurgia realizada nele no dia 30 de junho. Segundo a defesa, o ex-prefeito era um paciente cardíaco de alto risco. Ainda conforme o advogado, um ofício do próprio Presídio Militar informava que a unidade não tinha condições adequadas para manter Bernal devido ao estado de saúde dele. "Houve uma alerta da defesa ao Poder Judiciário desde o início do processo de que ele possuía doença grave, foi alertado essa semana que ele não poderia retornar ao presídio, fizemos um pedido de domiciliar, fizemos um pedido adendo, de uma questão temporária de ele retornar para casa, isso não aconteceu. Ficou com certeza um sentimento de frustração", afirmou. Bernal será velado no Cemitério Jardim das Palmeiras a partir das 11h desta segunda-feira (13). O sepultamento está previsto para as 16h, no mesmo local. Trajetória política Ex-prefeito Alcides Bernal morreu nesta segunda-feira (13). Redes sociais Natural de Corumbá (MS), Alcides Bernal era advogado, radialista e político. Em 2004, foi eleito vereador em Campo Grande e presidiu a Comissão Permanente de Transporte e Trânsito. Em 2008, foi reeleito e passou a comandar a Comissão Permanente de Defesa do Consumidor. Em 2010, foi eleito deputado estadual. Dois anos depois, foi eleito o 62º prefeito de Campo Grande. Permaneceu no cargo até 2014, quando teve o mandato cassado. Na época, era filiado ao Partido Progressista (PP). Dos 29 vereadores, 23 votaram a favor da cassação por irregularidades em contratos emergenciais. Com a decisão, o vice-prefeito Gilmar Olarte assumiu a administração municipal. A denúncia foi apresentada por dois empresários à Câmara Municipal em 30 de setembro de 2013. Eles apontaram contratações emergenciais sem justificativa. A denúncia foi aceita, e uma comissão processante foi criada para investigar o caso. Durante o processo, Bernal afirmou que não havia provas de irregularidades. Na sessão de julgamento, usou a tribuna para se defender e disse que agiu para proteger o interesse público. Em 2015, voltou ao cargo por decisão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS). Por dois votos a um, os desembargadores determinaram o retorno dele à Prefeitura em agosto daquele ano, um ano e cinco meses após a cassação. Bernal permaneceu no cargo até o fim do mandato, em 2016. Após a decisão, afirmou ao g1 que "a Justiça pode tardar, mas não falha". Nas eleições de 2016, concorreu à reeleição, mas não chegou ao segundo turno. Ficou fora da disputa final por uma diferença de 2.630 votos. Veja vídeos de Mato Grosso do Sul: